A nova tecnologia de comunicação celular, conhecida como 4G, deu o primeiro passo no Brasil, com o leilão das frequencias pela Anatel. As primeiras cidades a receber o serviço são as que sediarão os jogos da Copa das Confederações, no ano que vem. Aqui, nos Estados Unidos, o 4G já vem sendo implantado há pelo menos dois anos e, hoje, boa parte do país já conta com o serviço. O Olhar Digital veio a Nova York para saber como ele funciona. Aqui, no coração de Manhattan, na Times Square, fizemos nosso primeiro teste.
Aliás, além do teste, tem uma dica interessante para quem vai viajar e quer ficar conectado o tempo todo. Aparelhos como esse são vendidos por todas as operadoras em planos pré-pagos. São modems que funcionam também como hotspots portáteis. Dependendo do modelo, você consegue conectar até dez aparelhos a eles simultaneamente.
Funciona assim. Você compra o aparelho - que custa entre US$ 160 e US$ 200 - e compra créditos para uso da rede 4G. Do mesmo jeito que você compra créditos para o celular pré-pago. Os pacotes começam em US$ 30 - que dão direito a 250 mega de uso de dados e vão até US$ 100, que oferecem 10 gigabytes de dados. As operadoras brasileiras estão dizendo que o 4G será bem mais caro que o 3G. Por aqui, o preço da conexão 4G é praticamente o mesmo preço da conexão 3G: você não precisa ser rico para usar. O aparelho cria uma rede wi-fi, e você conecta seu celular, tablet ou notebook a ele. Pronto, você já pode navegar pela rede 4G.
Em outro símbolo de Nova York, o Central Park, a velocidade se manteve na casa dos 21 megabits de download e 17 megabits de upload. Nosso modem não perdeu o sinal em nenhum momento. Mesmo assim muito distante do potencial do 4G, que pode atingir até 100 megabits.
Ao contrário das altas velocidades que conseguimos no Central Park, aqui, no centro de Manhattan, na região da Times Square, o modem muitas vezes ficou em modo 3G e, aí, a velocidade caiu bastante. A nossa conclusão é que nessa região o número de usuários do 4G deve ser bem maior e talvez a infra-estrutura não esteja dando conta. Ou seja, a tecnologia 4G é, sim, uma revolução para quem usa internet móvel. Mas, se as operadoras não investirem de verdade, teremos os mesmos problemas que o 3G brasileiro apresnta hoje. Será que as operadoras brasileiras vão melhorar o serviço, já que terão que implantar uma nova tecnologia.
Um detalhe importante para quem pensa em usar o 4G no Brasil assim que ele estiver disponível. Por enquanto, os aparelhos comprados aqui nos Estados Unidos não são compatíveis com a rede que será instalada pelas operadoras brasileiras. A tecnologia é a mesma. Ela é chamada de LTE - Long Term Evolution, algo como Evolução de Longo Prazo, em português. Mas, os aparelhos daqui operam em frequencias diferentes das brasileiras.
O 4G americano usa frequências entre 800 megahertz e 2.1 gigahertz. As frequências brasileiras estão na faixa dos 2.5 gigahertz. A diferença tem a ver com a televisão. Acontece que, por aqui, não existe mais TV analógica, só digital. E as ondas do 4G estão sendo transmitidas nas frequências que eram usadas pela TV analógica. No Brasil, a previsão é que a TV analógica só seja desligada em 2016. Por isso, foi preciso escolher outra frequência para o 4G. Então, por ora, nada de comprar aparelho 4G por aqui, pensando em usar no Brasil.
Esse foi nosso rápido teste com a tecnologia 4G que ainda vai chegar ao Brasil. Pelo menos aqui em Nova York, a velocidade não é tudo que esperávamos, mas já é bem mais que o 3G, e suficiente para navegar bastante bem pela Web. Agora é torcer para que as operadoras brasileiras ofereçam um serviço de boa qualidade no 4G.
Para saber mais sobre a tecnologia 4G, leia aqui uma matéria completa sobre o assunto.